terça-feira, 18 de outubro de 2011

Capoeira contemporânea

  
O leitor talvez já tenha percebido que eu não tomo uma posição quanto às duas escolas de capoeira mais antigas conhecidas pelos nomes de Angola e Regional. Isso é porque não pratico nenhuma das duas, e sim uma mistura que surgiu da difusão cultural da capoeira pelo Brasil e pelo mundo, agregando ainda mais movimentos de outras lutas, e de outras práticas que não são lutas, como a ginástica olímpica. Os saltos mirabolantes fazem os passantes pararem para prestar atenção, nos casos de rodas públicas, e as apresentações dão lucro aos organizadores. Dentro da capoeira contemporânea podemos encontrar diversas academias diferentes.
A maior parte dos grupos valoriza a capoeira plástica, e muitos valorizam a violência dentro da roda. 
Discordo da plástica pela plástica, pois a função dos chamados floreios deve ser confundir o adversário, ou mesmo atacar (lembro de uma história de meu professor, que certa feita desmaiou uma colega por acidente durante a execução um beija-flor).
Discordo também da violência pela violência, pois a agressão da capoeira deve ser contra o opressor, em situações de risco real, ou diante de situações que exijam que o capoeira revide, como o abuso de sua paciência em uma roda ou algo do tipo (diversas situações podem ocorrer, aqueles que frequentam as rodas entendem).
Os próprios saltos podem ser usados dentro da capoeira, sem perder a displicência e mandinga exclusivas da capoeira. O problema é que muitos alunos aprendem a saltar como ginastas e não incorporam a capoeira. Como muitos mestres incitam a prática de floreios e saltos, muitos alunos ficam sem base ou fundamentos. 
Mais uma vez entra a função do mestre de saber separar o certo do fácil, o verdadeiro do comum.



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